TDAH e Aprendizagem

Entenda o que é TDAH e principais características

Muitas mudanças nas rotinas das famílias foram feitas em função da crise da pandemia para prevenir a disseminação do vírus, incluindo atividades remotas, aulas online, isolamento social.  Crianças e adolescentes com transtorno de déficit de atenção / hiperatividade (TDAH) podem enfrentar desafios extras para lidar com essas mudanças e precisam de um suporte maior nos estudos.

Você sabe o que é TDAH?

O Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é um distúrbio do neurodesenvolvimento que inclui dificuldade em manter o foco e prestar atenção, dificuldade em controlar o comportamento e a hiperatividade. 

Os sintomas percebidos no dia a dia são:

  • desatenção
  • divagação em tarefas
  • falta de persistência
  • dificuldade de manter o foco e concentração
  • desorganização
  • agitação motora excessiva (remexe-se tempo todo)
  • impulsividade

De acordo com o DSM5, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade pode se apresentar nos seguintes subtipos:

  • Predominantemente desatento (anteriormente conhecido como transtorno de déficit de atenção DDA) – as crianças com essa forma de TDAH não são excessivamente ativas. Por não atrapalharem a sala de aula ou outras atividades, seus sintomas podem não ser percebidos. Entre as meninas com TDAH, essa forma é mais comum.
  • Hiperativo / impulsivo – as crianças com este tipo de TDAH apresentam comportamento hiperativo e impulsivo, mas podem prestar atenção. Eles são o grupo menos comum e frequentemente são mais jovens.
  • Combinado (desatento / hiperativo / impulsivo) – crianças com este tipo de TDAH apresentam vários sintomas em todas as três dimensões. 

Conceito científico para TDAH

O DSM5 define o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade como:

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento* definido por níveis prejudiciais de desatenção, desorganização e/ou hiperatividade-impulsividade. Desatenção e desorganização envolvem incapacidade de permanecer em uma tarefa, aparência de não ouvir e perda de materiais em níveis inconsistentes com a idade ou o nível de desenvolvimento. Hiperatividade-impulsividade implicam atividade excessiva, inquietação, incapacidade de permanecer sentado, intromissão em atividades de outros e incapacidade de aguardar – sintomas que são excessivos para a idade ou o nível de desenvolvimento. Na infância, o TDAH frequentemente se sobrepõe a transtornos em geral considerados “de externalização”, tais como o transtorno de oposição desafiante e o transtorno da conduta. O TDAH costuma persistir na vida adulta, resultando em prejuízos no funcionamento social, acadêmico e profissional.

DSM-5
*Transtorno do neurodesenvolvimento

Os transtornos do neurodesenvolvimento são um grupo de condições com início no período do desenvolvimento. Os transtornos tipicamente se manifestam cedo no desenvolvimento, em geral antes de a criança ingressar na escola, sendo caracterizados por déficits no desenvolvimento que acarretam prejuízos no funcionamento pessoal, social, acadêmico ou profissional. Os déficits de desenvolvimento variam desde limitações muito específicas na aprendizagem ou no controle de funções executivas até prejuízos globais em habilidades sociais ou inteligência.

Como é feito o diagnóstico de TDAH

O diagnóstico é essencialmente clínico e realizado pelo médico com base no DSM-5 (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, 5ª edição). O médico irá fazer coleta de dados da família (entrevista de Anamnese com pais, cuidadores e depois com a própria criança), e pode contar com o apoio de testes neuropsicológicos, relatórios escolares e relatórios psicopedagógicos.

Baseado no DSM5 o médico (Neurologista, Neuropediatra, Psiquiatra) irá observar clinicamente se há os sintomas característicos descritos no critério A em cada subgrupo (Desatento / Hiperativo-Impulsivo). É preciso apresentar 6 (ou mais) dos sintomas descritos no manual e que estes sintomas persistem por pelo menos seis meses em um grau que é inconsistente com o nível do desenvolvimento e têm impacto negativo diretamente nas atividades sociais e acadêmicas/profissionais.

Além dos sintomas, é observado se atende ao critério B, verifica-se com os pais e cuidadores se os sinais de desatenção ou hiperatividade-impulsividade estavam presentes antes dos 12 anos de idade.

O critério C é verificado normalmente com entrevistas com pais e questionários* enviados para escola. Verifica-se se vários sintomas de desatenção ou hiperatividade-impulsividade estão presentes em dois ou mais ambientes (p. ex., em casa, na escola, no trabalho; com amigos ou parentes; em outras atividades).

*Questionários padronizados de rastreio de sintomas de aplicação multidisciplinar (podem ser aplicados por psicopedagogos, psicólogos, professores e outros profissionais). Por exemplo, o questionário SNAPIV para crianças e adolescentes ou o ASRS-18 para adultos.

Outro critério avaliado é o D, observa-se se há evidências claras de que os sintomas interferem no funcionamento social, acadêmico ou profissional ou de que reduzem sua qualidade.

Por fim o critério E, que descarta outras condições e transtornos. Verifica-se os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de esquizofrenia ou outro transtorno psicótico e não são mais bem explicados por outro transtorno mental (p. ex., transtorno do humor, transtorno de ansiedade, transtorno dissociativo, transtorno da personalidade, intoxicação ou abstinência de substância).

Prevalência e estatísticas

Levantamentos populacionais sugerem que o TDAH ocorre na maioria dos países em cerca de 5% das crianças e 2,5% dos adultos.

O TDAH é mais frequente no sexo masculino do que no feminino na população em geral, com uma proporção de cerca de 2:1 nas crianças e de 1,6:1 nos adultos. Há maior probabilidade de meninas se apresentarem primariamente com características de desatenção na comparação com meninos.

Quadro com resumo das principais característica do TDAH

Causas e fatores de risco para TDAH

O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica cujos sintomas também dependem do ambiente de desenvolvimento da criança. 

De acordo com DSM5 e pesquisas científicas, as causas possíveis para TDAH são:

  • Anatomia e função do cérebro: Um nível mais baixo de atividade nas partes do cérebro que controlam a atenção e funções executivas pode estar associado ao TDAH. 
  • Genética e hereditariedade: Uma criança com TDAH tem uma chance em quatro de ter um pai com TDAH. Também é provável que outro membro próximo da família, como um irmão, também tenha TDAH. Às vezes, o TDAH é diagnosticado em um dos pais ao mesmo tempo em que é diagnosticado na criança. 
  • Fatores de risco:
    • A prematuridade e baixo peso ao nascer aumenta 2 a 3 vezes o risco de desenvolver TDAH.
    • Exposições pré-natais, como álcool ou nicotina do fumo, aumentam o risco de desenvolver TDAH. Em casos muito raros, as toxinas no meio ambiente como chumbo podem levar ao TDAH. Embora não se saiba se tais associações são causais, por isso são consideradas apenas como fatores de risco.

Como é o tratamento para TDAH

Na maioria dos casos, o tratamento do TDAH é feito por uma equipe multidisciplinar e pode incluir:

  • Acompanhamento médico (neurologista, neuropediatra, psiquiatra) e tratamento com medicamentos.
  • Um plano educacional especializado (converse com a Escola sobre PEI) com descrições detalhadas do ensino e avaliações com as adaptações se forem necessárias.
  • Psicoterapia individual e familiar (orientação de pais em gestão emocional e de comportamento)
  • Suporte Psicopedagógico para dificuldades e/ou transtornos de aprendizagem, treinamento de habilidades e técnicas de estudo
  • Terapias com profissionais da saúde (terapeuta ocupacional, fonoaudiologia etc.) conforme a necessidade

Atenção: As informações contidas neste site não devem ser usadas como um substituto para os cuidados médicos, diagnóstico e conselhos do seu médico. Pode haver variações no tratamento que seu médico pode recomendar com base em fatos e circunstâncias individuais.

Maria Angélica Nascimento – psicopedagoga clínica e institucional

TDAH e dificuldades de aprendizagem

É frequente a ocorrência de mais de um transtorno do neurodesenvolvimento, por exemplo, muitas crianças com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) apresentam também um transtorno específico da aprendizagem, pesquisas indicam que de 30 a 50% das crianças com TDAH também têm um transtorno específico de aprendizagem e que as duas condições podem interagir para tornar o aprendizado extremamente desafiador.

Como ajudar seu filho com TDAH nos estudos

  • Concentre-se nos pontos fortes de seu filho. Questione-se o que ele gosta de fazer e faz bem? Quais habilidades são mais fortes? Incentive estes potenciais e reforce estas habilidades.
  • Organizem uma rotina, que inclua horários específicos para cada atividade, defina expectativas e regras claras e adequadas à idade.
  • Busque apoio de professores, verifique a possibilidade de adaptar recursos, materiais, provas, reduzir quantidade de atividades etc.
  • Se seu filho participa de um programa de educação especial, peça para ver o PEI do seu filho, o Plano Educacional Especializado, onde deve constar metas e objetivos específicos de habilidades e aprendizagem, descrição das principais atividades de intervenção e reforço das disciplinas, como adaptação de provas e materiais.
  • Se a escola de seu filho permanece remota e não houver um horário definido para fazer o login, isto é, se tiver aulas gravadas/ assíncronas, você pode deixar seu aluno escolher o melhor horário para ele. 
  • Pode ajudar a fazer uma programação visual e uma lista de verificação com base nas tarefas de cada dia. 
  • Incentive seu filho a explorar o que funciona para ele gerenciar o tempo, como um cronômetro/timer ou aplicativos como bloqueadores de tela/redes sociais, que ajudam os alunos a se manterem concentrados.
  • E lembre-se de que crianças e adolescentes com TDAH se beneficiam de intervalos para brincar ou se movimentar, e estas pausas podem ajudá-los e desenvolver habilidades.
  • Além de organizar e estruturar a rotina, considere atividades seguras ao ar livre, como andar de bicicleta, pular corda ou outras atividades físicas. Isso também pode fornecer exercícios físicos que podem ajudar com os sintomas de TDAH.
  • Use comunicação positiva, concentrando-se nos pontos fortes e nos esforços de seu filho. Crianças com déficits de atenção e dificuldades para autocontrole de impulso geralmente se beneficiam de feedback específico, claro e imediato. Por exemplo, dizer “Parabéns por começar sua tarefa na hora certa”, em vez de “bom trabalho” murmurado da cozinha pode ter efeitos muito diferentes.
  • Muitos estudantes têm dificuldade em aprender novas coisas em momentos de estresse. Por isso os portadores de TDAH podem se beneficiar ao revisar o material que seus professores já ensinaram. Isso pode ajudá-los a lembrar o que aprenderam e reduzir a ansiedade para começar novos tópicos. Em muitos casos, um professor particular para dar suporte em um tema pode ajudar a recuperar defasagens. 
  • Outra estratégia muito válida é dividir as tarefas e matérias para estudar em partes menores. 
Lembre-se de

Estou aqui para ajudar você, seu filho e sua família a se manterem bem e a desenvolverem melhores estratégias de aprendizado!

Mais informações sobre TDAH

Pesquise no portal da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), que é uma associação de pessoas com TDAH, sem fins lucrativos, com informações científicas sobre o Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH); além de, capacitar profissionais de saúde e educação, e oferecer suporte a pessoas com esse Transtorno e a seus familiares em todo o Brasil.

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Se tiver interesse em saber mais como ajudar seu filho a estudar com foco e a amenizar o déficit de atenção eu posso te ajudar, entre em contato!

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Referencias:

  1. DSM-5, Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento et al.; Revisão Técnica: Aristides Volpato Cordioli et al.- 5ª Ed – Porto Alegre: Artmed,2014.
  2. ROTTA, N. T., OHLWEILER, L., RIESGO, R. S., Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e Multidisciplinar. 2ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2016
  3. FERREIRA, Maria Gabriela Ramos. Neuropsicologia e aprendizagem. Curitiba: Intersaberes, 2014.

Sobre a Coach e Psicopedagoga | Website

Olá! Meu nome é Maria Angélica do Nascimento. Sou Educadora Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional e também Coach Vocacional. Aqui no blog falo sobre tudo o que toca o meu coração! Seja bem vindo!

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