Como estimular o desenvolvimento do cérebro do seu filho com as funções executivas

Porque entender sobre as funções executivas do cérebro é importante para a educação do seu filho?

Talvez você nunca ouviu falar sobre as funções executivas do nosso cérebro e sua importância para a aprendizagem.

Provavelmente perceba quando estas funções cognitivas estão rebaixadas quando se depara com:

  • Procrastinação e dificuldade para concluir tarefas;
  • Desorganização da rotina;
  • Falhas ao tentar se lembrar do nome de pessoas ou objetos, aquela sensação de que a “palavra está na ponta da língua” mas você não se lembra.
  • Falhas de memória para responder questões mais gerais;
  • Falta de foco para se manter num tema com mais atenção;
  • Dificuldade para se lembrar de fatos ou detalhes recentes;
  • Dificuldade para fazer cálculos pequenos e cálculo mental;
  • Maior impulsividade;
  • Falta de foco e atenção, qualquer coisa o distrai;
  • Desatenção e erros “bobos” em tarefas automáticas, como dirigir;

Estes são alguns sinais que seu cérebro pode estar com dificuldades com algumas das funções executivas, que podem estar um pouco rebaixadas por diversos motivos, um deles, neste momento de pandemia, pode ser o estresse emocional e mental. O maestro do seu cérebro pode estar sobrecarregado!

Se você já pesquisou um pouco sobre os transtornos do neurodesenvolvimento, como autismo, dislexia, TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), então provavelmente sabe que as funções executivas estão bastante alteradas ou rebaixadas nestes casos e impactam muito na vida e aprendizado das crianças e adolescentes com transtornos de aprendizagem.

Para saber o que são dificuldades e transtornos de aprendizagem você pode acessar esse artigo aqui.

Mas, afinal, o que são estas funções executivas?

As funções executivas são um conjunto de habilidades cognitivas que envolvem o comportamento humano, principalmente as habilidades de planejamento, organização e execução de atividades. São conhecidas como funções de supervisão, funções frontais (por estarem mais concentradas na região do córtex pré frontal).

Podemos chamar as funções executivas de “maestro do cérebro”, pois elas regem e integram diversos processos mentais para garantir uma resposta harmônica no nosso comportamento.

Há diversos estudos das neurociências que propõem modelos para explicar os tipos de funções executivas. As principais são:

  • Planejamento: capacidade de identificar e organizar ações sequenciais.
  • Inibição, controle inibitório, autocontrole: capacidade de conter uma resposta automática e previamente aprendida, que pode ser inadequada ou não ser apropriada ao contexto. É a capacidade de conter comportamentos impulsivos.
  • Atenção executiva: envolve a capacidade de selecionar e inibir certos estímulos distratores.
  • Flexibilidade cognitiva: capacidade de mudar o pensamento e ações de acordo com as exigências do contexto.
  • Memória operacional ou memória de trabalho: mecanismo de memória responsável por guardar por curto período informações que serão manipuladas para executar alguma tarefa.
  • Tomada de decisão: capacidade de escolher entre várias alternativas em situações, principalmente que envolvam algum tipo de risco.

Vamos exemplificar algumas destas funções executivas para que você possa realmente entender como acontece aí no seu cérebro no seu dia a dia e na aprendizagem das crianças e adolescentes.

Entenda o que é controle inibitório e flexibilidade cognitiva

O controle inibitório funciona como um “freio de estímulos“, como os estímulos distratores e também alguns pensamentos.

Enquanto você está lendo este texto, seu cérebro está inibindo vários estímulos, como ruídos e vozes de outras pessoas no ambiente, ou até mesmo pensamentos, do tipo “preciso ligar para…”, “será que desliguei…”.

Seu cérebro precisa processar todos estes estímulos e pensamentos para manter o seu foco atencional na leitura.

Esta capacidade de inibir distratores, pensamentos e reações impulsivas é a resposta de auto regulagem e controle do cérebro.

Imagine quando uma criança está em fase de alfabetização e aprendendo a escrever, precisa inibir diversas distrações e focar na atividade da escrita. Quando está aprendendo diversas regras para grafar as letras e se lembrar da ortografia, para lembrar que o “A” do “NÃO” é diferente, que o símbolo “~” do “NÃO” é sobre o “Ô, inibir-se de escrever sobre a letra “O”.

Enfim, para esta e outras tantas atividades, as crianças e nós todos, precisamos do controle inibitório e também de uma outra função, a flexibilidade cognitiva, que é justamente a capacidade de alternar e alterar minhas respostas conforme o contexto.

Voltando para o exemplo da escrita, a criança sabe que na maioria das palavras usará a letra “A”, mas em algumas palavras a vogal “A” tem som / ã/ e escreverá o símbolo do til “Ô. Para isso entra em ação a flexibilidade cognitiva!

Outra habilidade que se relaciona com a flexibilidade cognitiva é a nossa capacidade criativa, que é justamente a capacidade do cérebro de processar alternativas diferentes para fazer algo.

Este foi apenas um pequeno exemplo para que você possa compreender melhor a importância das funções executivas para o aprendizado.

Como estimular as funções executivas em casa

Bem, você deve estar se perguntando, como posso ajudar meus filhos a terem maior controle inibitório e flexibilidade cognitiva e aprenderem melhor?

A forma mais eficaz de fazer isso, além dos atendimentos feitos na clínica de psicopedagogia quando se necessita de terapia da aprendizagem, é proporcionar momentos de brincadeiras e jogos significativos em casa.

Através do ato de brincar com jogos as crianças desenvolvem diversas habilidades, como:

  • a capacidade de refrear impulsos;
  • seguir regras;
  • alterar seu comportamento diante de um obstáculo;
  • pensar antes de agir;
  • criar alternativas quando ocorre uma mudança de cenário no jogo;
  • selecionar estímulos distratores;
  • inibir seu comportamento de birra quando perde etc.

Outra forma de estimular as funções executivas é ajudar as crianças e adolescentes na organização dos estudos em casa.

As estratégias a seguir são essenciais principalmente para crianças e adolescentes com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), já que existe um rebaixamento das funções cognitivas de Atenção Executiva, Atenção Seletiva, Atenção Sustentada e Auto regulação cognitiva e emocional.

Como ajudar seu filho a estudar em casa

Com o cenário de aulas remotas há uma demanda ainda maior da capacidade do córtex pré frontal para:

  • processar diversos estímulos distratores;
  • inibir a vontade de desligar a câmera e abandonar o Google Classroom;
  • processar diversas informações ao mesmo tempo;
  • organizar uma sequência de atividades no conforto de casa em vez de brincar no videogame;
  • entregar as tarefas em dia para a escola, etc.

Para se ter ideia, de acordo com uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) sobre a educação durante a pandemia, 67% dos alunos se queixam de dificuldades em estabelecer e organizar uma rotina diária de estudos.

67% dos alunos se queixam de dificuldades em estabelecer e organizar uma rotina diária de estudos durante a pandemia.

Os pais não estão preparados pedagogicamente para atender às dificuldades das crianças e adolescentes com o ensino remoto. E mesmo quando há o conhecimento (por ex., pais que são professores), pode surgir dificuldades no relacionamento e em lidar com todas as mudanças na rotina que o contexto de pandemia nos obrigou a enfrentar.

Atividades para estimular seu filho a estudar mais e melhor

Na prática, algumas estratégias podem ajudar seu filho a estudar em casa, como:

  • Estruturar uma rotina;
  • Preparar um cronograma de atividades e deixar num quadro a vista;
  • Organizar os materiais escolares de forma funcional;
  • Preparar o ambiente de estudos;
  • Ensinar a usar agenda.

Estes são alguns exemplos de atividades que estimulam o desenvolvimento de funções executivas e contribuem para melhorar o desempenho na aprendizagem principalmente daqueles com dificuldade de organização nos estudos ou que foram diagnosticados com TDAH.

E também, reduzem os motivos de estresse no dia a dia da sua família, não só neste momento de pandemia, mas são úteis para a vida inteira do seu filho!

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