O que posso fazer para ajudar meu filho com dificuldades de aprendizagem? Parte 1

Como ajudar crianças com dificuldades ou transtornos de aprendizagem em casa?

Esta é não só uma dúvida, um desafio para pais de crianças pequenas com dificuldades de aprendizagem.

Geralmente, o primeiro passo é tentar entender as dificuldades da criança e considerar como essas podem ter impacto nas habilidades de comunicação, brincadeiras, atividades escolares e independência; no entanto, acima de tudo, incentivamos que se concentrem nos pontos fortes da criança, a fim de construir autoestima e ajudá-la a desenvolver habilidades e autonomia.

Muitos pais se questionam até que ponto precisam ajudar ou até corrigir nas tarefas escolares, e precisam equilibrar entre dar pouca assistência à criança e o incentivo para persistirem, construindo conceitos, oferecendo suporte, mas sem tirar a oportunidade de desenvolver autonomia da criança.

Uma boa dica é fornecer suportes com recursos visuais, cartazes e o hábito de consultar apostilas e livros. Quando a criança questionar e pedir uma resposta, você pode incentiva-la a pesquisar na apostila ou registros no caderno para revisar aquele conceito.  

Aprendizagem na primeira e segunda infância

Grande parte do aprendizado durante esse período ocorre sem instrução formal (ensino dirigido como na escola); a maioria dos pais ensina seus filhos incentivando-os a perceber coisas no ambiente, nomeando objetos e orientando certas habilidades sociais e comportamento. Os pais ensinam como vestir, abotoar e amarrar. Muitas vezes, eles ensinam seus filhos a jogar uma bola e andar de bicicleta.

E além disso muitos pais fornecem a base para habilidades precoces alfabetização (nós pedagogas e psicopedagogas chamamos de habilidades precursoras de leitura, escrita e matemática), lendo histórias, recitando o alfabeto, colorindo, copiando letras, escrevendo mensagens simples e jogando diversos tipos de jogos.

Algumas crianças com dificuldades de aprendizagem acham essas habilidades “aparentemente naturais” difíceis de aprender, mesmo com uma boa estimulação.

Sintomas associados a dificuldades de aprendizagem

Os sintomas associados às dificuldades de aprendizagem variam. Alguns têm dificuldade em processar informações auditivas, enquanto outros têm problemas com tarefas visuais, para diferenciar formas por exemplo. Alguns têm dificuldades atencionais, enquanto outros têm problemas com habilidades não-verbais, como interpretar expressões faciais, aprender a brincar ou se vestir.

Alguns não apresentam muitos problemas até entrar na escola, embora indícios de dificuldades pré-acadêmicas ou pequenos atrasos no desenvolvimento possam ser evidentes para especialistas, mas passam despercebidos pelos pais.

Por isso é interessante que os pais conheçam os principais marcos do desenvolvimento infantil. Um bom material para consulta é a Caderneta de Saúde da Criança. Você pode conferir a tabela com os marcos do desenvolvimento e estimular a criança.

Menino: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_crianca_menino_2ed.pdf

Menina: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_crianca_menina_2ed.pdf

Quando os atrasos ou algum sinal de alerta surgir, os pais podem discutir suas preocupações com médicos, professores ou especialistas em áreas como psicopedagogia, psicologia, terapia ocupacional ou fonoaudiologia.

Uma avaliação abrangente que inclui a história de desenvolvimento (realizada na sessão psicopedagógica de Anamnese), testes de avaliação cognitiva, linguagem oral, desempenho escolar, habilidades motoras perceptivas, vários processos que envolvem aprendizagem são úteis para obter um perfil geral de pontos fortes e fracos e para fazer recomendações e planejar um intervenção psicopedagógica eficiente, além de detectar sinais de alertas e realizar os encaminhamentos a outros especialistas ou médico.

Recomendações

O primeiro passo é sempre entender a criança, por isso a avaliação psicopedagógica é importante. Vale ressaltar que a população de crianças com dificuldades ou transtornos de aprendizagem é heterogênea.

Portanto, nem todas as sugestões fornecidas abaixo são aplicáveis, mas são recomendações gerais que se aplicam também as crianças que não apresentam dificuldades de aprendizagem.

Concentre-se nos pontos fortes da criança, não nas fraquezas

Toda criança é única; todos podem contribuir para atividades rotineiras da vida familiar e todos podem aprender. Encontre atividades seguras adequadas a idade e que permitam que a criança contribua para se sentir pertencente a dinâmica da família.

Maria Montessori já dizia “Ajude-o a fazer por si mesmo”.

O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), publicado pelo Ministério da Educação, aborda a importância da autonomia da criança:

“Saber o que é estável e o que é circunstancial em sua pessoa, conhecer suas características e potencialidades e reconhecer seus limites é central para o desenvolvimento da identidade e para a conquista da autonomia. A capacidade das crianças de terem confiança em si próprias e o fato de sentirem-se aceitas, ouvidas, cuidadas e amadas oferecem segurança para a formação pessoal e social. A possibilidade de desde muito cedo efetuarem escolhas e assumirem pequenas responsabilidades favorece o desenvolvimento da autoestima, essencial para que as crianças se sintam confiantes e felizes. ”

Defina expectativas razoáveis

Tente não esperar mais do que a criança é capaz de fazer no momento, mas espere o melhor que ela pode produzir, com e sem assistência. A criança pode precisar aprender habilidades simples e, em seguida, tarefas complexas podem ser ensinadas passo a passo, reduzindo gradualmente os apoios à medida que a criança avança.

Mantenha uma orientação clara

Dê explicações claras e simples, principalmente se as crianças tiverem problemas de linguagem. Eles podem não entender o vocabulário, instruções longas e frases complexas, conceitos abstratos usadas em casa ou na escola.

A principal estratégia é “seja objetivo, claro e gentil”, juntamente com consistência.

Promova a curiosidade

Tente estimular as crianças sobre o processo de aprendizagem. Pais e professores que gostam de aprender podem transmitir essa atitude aos filhos. Muitos bebês e crianças pequenas parecem naturalmente curiosos ao olhar para os objetos, explorá-los, girá-los, tentar movê-los etc., enquanto outros precisam de estímulos.

Dê uma volta no quarteirão, olhe para as árvores e os arbustos, sinta a textura da casca da árvore, cheire as flores. Olhe para a grama, o cascalho, o cimento e fale sobre o que é duro, liso, áspero e bonito.

Ajude as crianças a classificar e categorizar objetos

Muitas crianças naturalmente juntam grupos de objetos porque têm a mesma cor ou forma ou devido ao seu uso. Se recebem blocos, carros de brinquedo, xícaras e pires, eles notam semelhanças e diferenças, uma habilidade essencial para outros aprendizados.

No entanto, algumas crianças com dificuldades/transtornos de aprendizagem têm problemas com a conceituação, classificação, pareamento. Elas não percebem semelhanças ou observam os atributos mais relevantes.

Os pais podem ajudar nesse processo de categorização quando vão a supermercados, parques, zoológicos e outros lugares para observar como as coisas em determinadas áreas são semelhantes.

Ajudar as crianças a categorizar e reclassificar objetos irá contribuir para que desenvolvam habilidades cognitivas importantes para aprendizagem.

Recomendações adicionais

Envolva a criança nas atividades iniciais de alfabetização e pratique Literacia Familiar

Alfabetização refere-se a muitas atividades de linguagem oral, leitura e escrita, todas interligadas. Ler para as crianças fortalece a linguagem oral e as apresenta a várias formas de discurso, como histórias, contos de fadas e poesia. Ler rótulos, etiquetas ou cartões ajuda a entender as relações entre a linguagem oral e a escrita e enfatiza o significado.

Crianças com risco para Dislexia demoram a começar a ler porque não conseguem processar todas as informações devido rebaixamento de habilidades perpetuais, déficits fonológicos e de memória verbal. Para estas crianças é muito difícil a leitura, por isso é importante o suporte visual e de áudios.

Para ajudar, você pode ler os enunciados em voz alta para a criança. Utilize aplicativos de audiobooks enquanto a criança faz a leitura. Existem também aplicativos que transformam textos em áudios, pesquise por “leitores de texto”.

Outras crianças apresentam sinais de desatenção e hiperatividade (veja TDAH e aprendizagem), e precisam de suporte maior para conseguirem sustentar a atenção numa atividade.

Nesses casos, sugerimos que os pais leiam e descrevam as figuras e facilite a linguagem para que a criança compreenda. Por exemplo, a partir de uma foto de uma criança tomando sopa ou cereal, pergunte: “a sopa é quente, como está o sabor? Você acha que o garoto gosta da sopa? Como você sabe, olha o rosto dele.”

Interaja durante a leitura, faça perguntas que contextualizem a história narrada, use objetos e brinquedos para ilustrar.

Ao olhar para uma lata ou embalagem de alimentos, pode-se perguntar: “Qual palavra você acha que diz: leite?” Incentive a criança a ler símbolos como “parar” e palavras nas portas como “meninos, meninas, empurrar” etc.

O objetivo principal é garantir que as crianças entendam que a leitura é um ato significativo.

A criança nessa fase não está aprendendo apenas o alfabeto!

Forneça estrutura para crianças com dificuldades de atenção

Algumas, mas não todas, crianças com dificuldades de aprendizagem têm problemas para focar e manter a atenção. Nesses casos, recomendamos organizar rotina, que pode ser flexível, mas consistente.

O objetivo não é punir a criança que não consegue “parar quieta”, mas criar um ambiente no qual as crianças possam ter sucesso, adequando o espaço, as lições, flexibilizando os horários. Por exemplo, ajude-os com a organização, dividindo tarefas em passo a passo e fornecendo uma figura com sequência ordenada de atividades da rotina.

Veja mais neste post como ajudar a desenvolver o cérebro do seu filho .

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